Crise hídrica no Rio de Janeiro?

Publicado: 17/01/2020

Escrito por @lorenavonhroch


Recentemente a cidade do Rio de Janeiro enfrentou um grande problema de segurança hídrica.

O ano mal começou e nós, cariocas, fomos apresentados a geomina, uma enzima liberada por microalgas que altera o gosto e cheiro da água. Os especialistas afirmam que a tal enzima não traz riscos a saúde, mas a verdade é que é bem indigesto beber água com gosto de terra.


Eu aqui, no auge do verão 40º comecei a refletir sobre a água.

É, é aquele tipo de problema que parece tão distante mas na verdade está do nosso lado. Na escola tinham os trabalhos sobre o dia da água, acompanhei pela TV as secas no Nordeste e mais recentemente em São Paulo, as notícias são alarmantes sobre a falta água potável no planeta, mas ainda assim vivemos em uma bolha e o problema só se torna real quando aperta o nosso calo.

Então, vamos lá Google, o que você me diz sobre a crise hídrica no planeta?

“Quase um terço da população do planeta vive em países em situação de estresse hídrico extremamente alto. O problema afeta países em todos os continentes: Chile, México, Rússia, China, Índia, África do Sul, e até Itália e Espanha”.

Segundo estudos o Brasil não vive essa realidade, o Distrito Federal, no entanto é o Estado em pior situação, classificado como estresse médio-alto. Para começar o papo, o Banco Mundial classifica como situação de escassez hídrica quando moradores de uma determinada localidade recebem menos de 1 mil m³ de água por pessoa. Por exemplo, em 2014, os mais de 20 milhões de habitantes de Pequim receberam apenas 145 m³.

Dados na mão, gosto de terra na boca, e coração já em pedaços. Preciso de uma notícia boa, um alento.

Um exemplo clássico de sucesso é Israel, onde desde 1970 a demanda pelo “ouro líquido” é superior ao que seus mananciais podem oferecer. O país virou o jogo usando tecnologia.


A atividade agrícola, que em todo mundo consome mais da metade da água total consumida por ano, usa o sistema de gotejamento, dessa forma eles reduziram em 50% o volume de água utilizada em irrigação. Além disso, 75% dos esgotos domésticos são tratados e reaproveitados – parte deles para irrigar produtos agrícolas sem fins alimentícios. Tel Aviv, a capital, reaproveita 100% de sua água.

Aliás reaproveitamento parece ser a palavra-chave, inclusive aqui mesmo no Brasil.

Alguns municípios da região metropolitana de São Paulo (Barueri, Carapicuíba, Diadema, São Caetano e São Paulo) compram água proveniente de esgotos tratados pela Sabesp, utilizada na lavagem de ruas ou na irrigação de praças e jardins; como o custo é baixo (o valor para órgãos públicos é ainda menor que para a iniciativa privada), a água de reuso chega a representar 80% de economia para a prefeitura paulistana. Niterói, aqui no Rio, foi a primeira cidade brasileira a transformar o reaproveitamento em lei. Desde 2011, todas as construções com mais de 500 metros quadrados ou com volume potencial de consumo igual ou superior a 20 metros cúbicos de água por dia devem ter sistemas de reaproveitamento das chamadas “água cinza” (as provenientes de processos domésticos como lavagem de roupas, louças e banhos).

Outro bom exemplo, é Cingapura, com seu abastecimento de água sustentável que o governo chama de "Quatro Torneiras": um sistema de grandes proporções de coleta de água (especialmente para a pequena área da ilha); importações de água; água recuperada de alta qualidade conhecida como “NEWater”; e água dessalinizada.

É claro que também não podemos fugir das nossas responsabilidades com o uso da água enquanto sociedade, não é?. Alinhar nossos discursos aos hábitos é um bom início. Por fim, Rutger Hofste, um dos principais autores de pesquisas voltadas para crise hídrica nos alerta: "O estresse hídrico é um indicador importante, mas não representa um destino imutável".

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