Lei das sacolinhas vai impulsionar plástico não-biodegradável | WeWOOD Brasil

Lei das sacolinhas vai impulsionar plástico não-biodegradável

Publicado: 26/06/2019

  

    Aprovada há um ano, a nova lei que promete banir as sacolinhas plásticas dos supermercados do Rio de Janeiro entra em vigor hoje envolta em mais incertezas do que certezas. Especialistas que atuam há anos no setor de polímeros plásticos sugerem cautela e enxergam dificuldades na adoção de sacolas totalmente sustentáveis no país. De imediato, as novas sacolas que tenderão a ganhar os mercados terão composição química idêntica à das sacolinhas convencionais, feitas de processos petroquímicos. Trarão a vantagem de serem provenientes de cana-de-açúcar, mas, assim como as sacolas convencionais, demorarão mais de 200 anos para se degradar na natureza.

    As novas sacolas deverão ter resistência de no mínimo 4, 7 ou 10 quilos. Elas deverão ser confeccionadas nas cores verde (para resíduos recicláveis) e cinza (para outros tipos de material), com o objetivo de auxiliar o consumidor na separação dos resíduos e facilitar a identificação para as respectivas coletas de lixo. As sacolas reutilizáveis serão vendidas pelos supermercados a preço de custo (8 centavos a unidade), sendo vedado lucro aos estabelecimentos.


Descarte continuará a ser o problema

Na prática, a lei vai impulsionar o bioplástico de cana-de-açúcar proveniente de uma resina feita pela Braskem, numa fábrica do Rio Grande do Sul. É o único produto atualmente com escala para substituir as sacolas de polietileno no Rio de Janeiro. Acontece que, quimicamente, é exatamente igual à anterior. Ambas são recicláveis, mas não são biodegradáveis e nem compostáveis (que poderiam ser transformadas em adubo). Para ser classificado como biodegradável, o material deve se decompor em seis meses em condições estipuladas por norma internacional. Em suma, se o descarte seguir errado, os impactos continuarão a existir.

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